Delamirando: vem de Delamira. Delamira? Uma piada que fizeram com meu sobrenome, e enfim, tornou-se apelido. Agradeço às minhas queridas amigas, por terem me dado esta palavrinha de presente, que agora, é o nome deste blog, desta nova fase.
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Quem me acompanha, conhece o blog Além do Coração, no qual conto segredos profundos e abraço minha alma. Foram 5 anos de muitas lágrimas, muitos amores, muitas perguntas sem respostas... Pois é, foram. Tomei uma decisão, uma decisão que vinha me incomodando há um tempo, mas será para o bem. Todo o livro tem um fim. E como eu sempre digo, minha vida não é feita de capítulos, mas de diferentes histórias. Gosto disso, ser uma “caçadora” de sonhos.
Criei o Além do Coração quando eu tinha 13 anos, hoje, tenho 18. Foram 5 anos. 5 anos de muito autoconhecimento, de muito desespero, e de muitas tentativas de mudança. Foi a minha adolescência inteira (por lei – riso irônico). E, de acordo com a mesma lei, há 8 meses sou adulta. Ou seja, hora de fechar um livro, e abrir outro.
Em 2012, eu tentei largar o blog, tentei recomeçar, mas não deu certo. Foi muito desespero, pra pouca experiência. Dessa vez, estou segura, estou pronta. Trabalhei nisso por anos (estou falando de mim mesma), e chegou a hora de dar o próximo passo. Só faltava isso, a minha vontade de querer seguir em frente, de deixar de ter medo do que estar por vir. Aprendi a aceitar a vida, e tentar sobreviver nela, infelizmente – mas também, muito felizmente. Estou orgulhosa de quem me tornei, e espero que todos consigam sentir o que estou sentindo. É libertador, é esperançoso. E sei, que será o que me dará forças para continuar.
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Mas, deixa eu falar um pouco desse tal de Delamirando. Será parecido com o blog antigo, mas nem tanto. Quero Delamirar um pouco mais, quero compartilhar paixões e alegrias, não só os momentos sombrios em que preciso de conforto. Irei seguir fazendo o que eu mais amo, que é ajudar a quem me procura; mas agora, estou pronta para ajudar a mim mesma, também. E compartilhar alguns momentos da minha história, a real, sem o duplo sentido, sem a frescura de temer o julgamento. Estou abraçando o mundo, sem medo que ele não me abrace de volta.
Ah, amigas que gostam de ler minhas palavras soltas, não se preocupem, escreverei aqui, também. Mas, assim espero, de uma maneira diferente. Uma maneira mais viva, com sede de evoluir, que, agora sim, está pronta para permitir que a felicidade entre. Está pronta para ensinar – e viver – o que é Delamirar.
2 comentários:
Bom dia querida Delamira: Acompanho seu blog faz tempo e nunca me manifestei. Você é uma das pessoas mais absurdas que eu conheço, mas às vezes finge esquecer-se desta realidade. Quanto tempo você demorará para perceber que é “uma esmeralda”? (outro dia, explico).
Gostaria, inicialmente, de pedir que apague este comentário. Se quiser ler, leia. Se quiser imprimir e guardar, faça-o. Mas não aceite, pois não voltarei aqui. Afinal, eu não existo. Não sou nada além das próprias palavras que alguém escreve neste exato instante.
Assim, pergunto-lhe, agora: a vida vale a pena ser vivida?
Às vezes, o suicídio parece uma rápida solução ao absurdo da existência, não?
Quantas vezes você já pensou em, quem sabe, suspirar uma última vez, beber seu vinho favorito e... morrer? Não se preocupe. Todos os seres humanos – sãos – já refletiram sobre seu suicídio. Este é o sentimento da absurdidade.
Quer dizer, este sim é um problema filosófico sério. Se a terra gira em torno do sol, ou o sol gira em torno da terra, está não é uma questão, de fato, urgente. Galilleu que me perdoe, mas bem ele sabe como esta verdade não valia a fogueira. É algo profundamente irrelevante, a qual ele renunciou no instante em que esta questão pôs sua vida em risco. Não o julgo. Fez bem o velho.
Nunca vi ninguém morrer de metafísica ou cosmologia.
Gostaria de falar sobre quantas pessoas morrem pelas ilusões que as fazem viver (afinal, uma boa razão para viver é – na maioria das vezes – suficientemente boa razão para morrer) mas... chegaremos lá, em momento oportuno.
Você deve estar, agora, lendo isso e pensando... “Por quê?”
Delamira, o sentido da vida é a questão mais decisiva de todas.
Enquanto nós, morrediças criaturas semelhantes à Schoppenhauer, Freud e tantos outros (que já completaram seus próprios ciclos há muito, muito tempo) tentamos nos diferenciar das baratas e das ratazanas, tratamos o suicídio com um... Fenômeno social.
É isso.
Você consegue perceber... agora... o seu peito subindo e descendo, respirando e expirando... deslocando ar por entre seus pulmões.... você sente o contato das suas roupas com a sua pele. Um contato suave, que você não tinha percebido, em seus ombros, quadris, busto... Você sente um leve arrepio. Você nota, nitidamente, aquela sensação... morna... na boca do estômago... Sente-se viva. Nota todos os contrastes enquanto lê este texto. Percebe detalhes vívidos da minha escrita, do seu monitor, das letras deste texto, que não tinha notado antes. É quase como... se eu estivesse aqui, agora, do seu lado. Lembre-se de momentos felizes e pense naquela pessoa... se imagine, agora, com ela.... como teria sido o gosto dos lábios? Como seria aquela sensação do contato, elétrico, entre vocês dois? De súbito, isto acaba.
É simples o suicídio:
É um gesto que prepara o silencio no coração
Um disparo; um mergulho. Fim.
(eu mencionaria a “escuridão” mas, mais absurdo que confrontar a própria morte é deduzir o que viria imediatamente após)
Um dia, você é um cirurgião dentista e no outro, balança enforcado na sala de casa.
“Ouvi falar que ele havia perdido um parente próximo. Estava abalado, estava diferente. Isto havia o arruinado.”
Bom, Delamira, começar a pensar é começar a ser arruinado.
Nunca conseguiremos saber o momento sutil em que um espirito se decidiu pela morte. Mas sabemos: Matar-se é confessar que se foi ultrapassado pela vida e que não há modo de compreendê-la. A vida é absurda. Somos prisioneiros em um mundo que não parece o nosso, sem lembranças do que seria “casa”. Nascemos sendo seres racionais em um mundo que se satisfaz com a irracionalidade. Irracional, por definição, não havendo escapatória. A solução exata para o absurdo seria, então, o suicídio?
Não.
A vida vale a pena ser vivida.
Tirar a vida para fugir do absurdo é ser mais absurdo ainda, sem –pasme – levar o absurdo a sério. Seriedade merecida.
Sem o homem, o absurdo não existe, Delamira. Ao reconhecermos o absurdo, abrimos mão da esperança em um futuro melhor, abrimos mão da ideia de eternidade. São essas vãs esperanças que, a cada novo amanhã, nos aproximam da morte que não notamos. Devemos viver a contradição da ausência de sentido na vida. Sermos felizes e, se cantar, dançar, beijar e pular nos faz feliz, pois que façamos!
Sem sentido, na vida não há escala de valores. Devemos, pois, abraçar a insensatez e saber que, no final desta aventura absurda, não é a melhor vida que conta...
Abraçar o absurdo. Abraçar tudo que ele tem a nos oferecer. Todas as oportunidades, momentos, ideias, contraditórias ou não, pois tanto faz! Esqueça o existencialismo, a metafísica, esqueça! Jogue tudo isso fora! A falta de sentido da vida exige constante revolta, constante luta! Admitir o absurdo é, de certo modo, ser livre por escolha. Temos liberdade para encontrar o que faz nossa vida valer a pena. Liberdade para criar um sentido próprio, prover algo pelo qual lutar. Nunca esqueça, porém de manter uma distância, de certo modo irônica, entre o significado falacioso que a srta. criou para sua vida e o conhecimento do próprio Absurdo, para que aquele não ocupe definitivamente o lugar deste em sua vida. Inventar algo e admitir como verdade é ato de ilusão, enganar-se, tentar contornar o fato de que a vida é absurda. Não se deixe enganar: não há como fugir do absurdo.
Viva com paixão, pois não se vive a vida de outro modo.
Permita-se ser feliz.
Delamare: Abrace o absurdo.
Viva absurdamente.
Seja absurda.
Com carinho,
Otis Mendes.
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