segunda-feira, 29 de junho de 2015

Welcome to my show!

Fingir nunca foi difícil. A alma de atriz que mora dentro de mim sempre facilitou as coisas. Às vezes, adoto máscaras, em outras, a atuação é tão convincente que elas não se fazem necessárias. É como maquiar o rosto para sair de casa, porém, a maquiagem é colocada no meu coração.
Vejo sorrisos nas ruas, e tento ser o mais belo deles. Vejo pessoas, com amor para dar e vender, e me esforço para oferecer o dobro a elas. A personagem que escolho quando levanto da cama, todos os dias, está sempre feliz. Ela não demonstra tristeza, inveja, nenhuma das maldições humanas que estamos condenados a carregar. É bonito de ver, enquanto o espetáculo acontece. E, honestamente, gostaria de agradar toda a multidão, mas algumas coisas não são possíveis...
Então, a noite chega. Hora de tirar as máscaras, sair da personagem e encarar minha face no espelho. E isso dói. Dói perceber que a única coisa que sei fazer, além de atuar para divertir os outros, é temer a mim mesma.
E quando a noite está quase no fim, e o sol, junto com a hora de encarar a personagem, se aproxima, pergunto se será assim para sempre. Se viverei presa ao personagem que não consigo esquecer, ou se encontrarei novas oportunidades de vencer a batalha contra a moça do espelho. 

Obs.: 
Sei que esta não é uma maneira muito bonita de retornar. E talvez este não seja um retorno. Considerem como um reencontro, breve, porém necessário... Algumas coisas são parte do que somos, não há como fugir.