domingo, 27 de dezembro de 2015

Era uma vez uma garota.

Era uma vez uma garota, ela gostava de desaparecer. Era uma vez um garoto, ele tinha medo de procurar. Mas esta não é a história da vida dos dois, e muito menos uma história de amor. Esta é apenas uma história sobre corações perdidos, memórias misturadas e assuntos que nunca serão resolvidos. Pois sim, já houve um fim, mas nunca uma resposta.
Era uma vez uma garota que acreditava no amor, mas tinha medo dele. Era uma vez um garoto que acreditava na aventura, mas tinha medo dela. Os dois viviam em círculos, sempre os mesmos erros, os mesmos medos, a mesma história. O cenário mudava, os fatos não.
Era uma vez uma garota, ela fugiu. Era uma vez um garoto, ele retraiu. Ela chorou, ele sorriu. Ela correu, ele parou. Ela esperou, ele viveu. Ela esqueceu, ele voltou. Ela o reconstruiu, ele a destruiu. E por fim, um afogou o outro.
Era uma vez uma garota, ela não existe mais. Era uma vez um garoto, ele ainda é o mesmo. Ela se permitiu, ela seguiu, ela pulou. Ele permitiu que apenas os medos fossem mais fortes do que as chances de uma nova vida, e sentou abraçado ao tempo.
Era uma vez uma garota e um garoto, eles não se conhecem, mas sempre terão o nascer do mesmo sol.
Era uma vez uma garota, ela pode até se esquecer como escrever, só não pode esquecer de você.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Welcome to my show!

Fingir nunca foi difícil. A alma de atriz que mora dentro de mim sempre facilitou as coisas. Às vezes, adoto máscaras, em outras, a atuação é tão convincente que elas não se fazem necessárias. É como maquiar o rosto para sair de casa, porém, a maquiagem é colocada no meu coração.
Vejo sorrisos nas ruas, e tento ser o mais belo deles. Vejo pessoas, com amor para dar e vender, e me esforço para oferecer o dobro a elas. A personagem que escolho quando levanto da cama, todos os dias, está sempre feliz. Ela não demonstra tristeza, inveja, nenhuma das maldições humanas que estamos condenados a carregar. É bonito de ver, enquanto o espetáculo acontece. E, honestamente, gostaria de agradar toda a multidão, mas algumas coisas não são possíveis...
Então, a noite chega. Hora de tirar as máscaras, sair da personagem e encarar minha face no espelho. E isso dói. Dói perceber que a única coisa que sei fazer, além de atuar para divertir os outros, é temer a mim mesma.
E quando a noite está quase no fim, e o sol, junto com a hora de encarar a personagem, se aproxima, pergunto se será assim para sempre. Se viverei presa ao personagem que não consigo esquecer, ou se encontrarei novas oportunidades de vencer a batalha contra a moça do espelho. 

Obs.: 
Sei que esta não é uma maneira muito bonita de retornar. E talvez este não seja um retorno. Considerem como um reencontro, breve, porém necessário... Algumas coisas são parte do que somos, não há como fugir.